‘Eles entram para devorar a natureza e destruir o que a gente preserva!’ – Ecocídio, capitalismo e resistência quilombola em Cocalinho, Maranhão

Autores

  • Marcelo Rasga Moreira 1 Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA2030) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil. https://orcid.org/0000-0003-3356-7153
  • Guilherme Franco Netto Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA2030) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-8861-8897
  • Aline do Monte Gurgel Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) – Goiânia (GO), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-5981-3597
  • Lorena Covem Rosa Franco Netto Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) – Goiânia (GO), Brasil. https://orcid.org/0009-0008-5963-6974
  • João Arriscado Nunes Universidade de Coimbra (UC) – Coimbra, Portugal. https://orcid.org/0000-0003-0109-8268

Palavras-chave:

Ecocídio, Capitalismo, Natureza, Quilombola, Políticas públicas

Resumo

O objetivo do artigo é analisar o ecocídio em Cocalinho, comunidade quilombola do Maranhão, Cerrado brasileiro. Na primeira parte, teórica, apresentam-se reflexões sobre ecocídio que, aperfeiçoando tradicional concepção jurídico-criminal, definem-no como processo econômico-político-social-cultural de apropriação radical e violenta da natureza, transformando-a em mercadoria consumível até o limite máximo da geração de lucros, a despeito da destruição de vidas humanas e não humanas. Essa definição operacional embasa a elaboração de modelo de análise do ecocídio em quatro etapas. Na segunda parte, apresentam-se as considerações metodológicas. Consideradas centrais no modelo de análise, as percepções dos moradores foram levantadas em julho de 2023, via método etnográfico com aplicação de observação participante e entrevistas (semiestruturada e aberta). Para sistematizá-las e analisá-las, foram desenvolvidos dois dispositivos, Radar do Ecocídio (quantitativo) e Painel de Falas (qualitativo). Na última parte, prática, discutem-se os resultados da aplicação do modelo analítico e seus dispositivos em Cocalinho, indicando um estágio de ‘competição intensa’, no qual os quilombolas percebem os ataques ecocidas como fortes, mas consideram-se protegidos para os enfrentarem. Conclui-se que esse estágio é extremamente perigoso para os quilombolas, exigindo a ação do poder público para garantir a preservação da natureza, o desenvolvimento sustentável, o bem-viver e a democracia.

Publicado

2026-05-27

Como Citar

1.
Rasga Moreira M, Franco Netto G, do Monte Gurgel A, Covem Rosa Franco Netto L, Arriscado Nunes J. ‘Eles entram para devorar a natureza e destruir o que a gente preserva!’ – Ecocídio, capitalismo e resistência quilombola em Cocalinho, Maranhão. Saúde Debate [Internet]. 27º de maio de 2026 [citado 27º de maio de 2026];50(especial 2). Disponível em: https://revista.saudeemdebate.org.br/sed/article/view/10859

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito