‘Eles entram para devorar a natureza e destruir o que a gente preserva!’ – Ecocídio, capitalismo e resistência quilombola em Cocalinho, Maranhão
Palabras clave:
Ecocídio, Capitalismo, Natureza, Quilombola, Políticas públicasResumen
O objetivo do artigo é analisar o ecocídio em Cocalinho, comunidade quilombola do Maranhão, Cerrado brasileiro. Na primeira parte, teórica, apresentam-se reflexões sobre ecocídio que, aperfeiçoando tradicional concepção jurídico-criminal, definem-no como processo econômico-político-social-cultural de apropriação radical e violenta da natureza, transformando-a em mercadoria consumível até o limite máximo da geração de lucros, a despeito da destruição de vidas humanas e não humanas. Essa definição operacional embasa a elaboração de modelo de análise do ecocídio em quatro etapas. Na segunda parte, apresentam-se as considerações metodológicas. Consideradas centrais no modelo de análise, as percepções dos moradores foram levantadas em julho de 2023, via método etnográfico com aplicação de observação participante e entrevistas (semiestruturada e aberta). Para sistematizá-las e analisá-las, foram desenvolvidos dois dispositivos, Radar do Ecocídio (quantitativo) e Painel de Falas (qualitativo). Na última parte, prática, discutem-se os resultados da aplicação do modelo analítico e seus dispositivos em Cocalinho, indicando um estágio de ‘competição intensa’, no qual os quilombolas percebem os ataques ecocidas como fortes, mas consideram-se protegidos para os enfrentarem. Conclui-se que esse estágio é extremamente perigoso para os quilombolas, exigindo a ação do poder público para garantir a preservação da natureza, o desenvolvimento sustentável, o bem-viver e a democracia.
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