Equidade e integralidade na promoção de territorialidades interculturais: itinerâncias pedagógicas no Cerrado
Palavras-chave:
Equidade em saúde, Integralidade em saúde, Formação profissional em saúde, Políticas públicas de saúde, Análise institucionalResumo
Este artigo analisa como os princípios de equidade e integralidade, quando problematizados a partir da decolonialidade e da interseccionalidade, podem produzir deslocamentos críticos na formação profissional em saúde e na reflexão pedagógica no âmbito do Sistema Único de Saúde, tomando como referência o contexto sociopolítico do Cerrado sul-mato-grossense. Com base na Análise Institucional do Discurso, o estudo examina intervenções formativas realizadas no contexto de estágios em psicologia, compreendendo- -as como dispositivos pedagógicos capazes de tensionar racionalidades coloniais e normativas presentes nas políticas públicas e nos espaços de controle social. As análises evidenciam que os chamados ‘avanços’ não se restringem a resultados instrumentais, mas se expressam na produção de uma reflexividade crítica sobre discursos que sustentam desigualdades, abjeções e exclusões em contextos interculturais. Ao explicitar os embates discursivos e os mecanismos argumentativos mobilizados nesses espaços, o artigo sustenta que a problematização da equidade e da integralidade constitui, em si, um avanço pedagógico, ao favorecer a formação de profissionais sensíveis às diferenças, aos territórios e às disputas ético-políticas que atravessam a produção do cuidado e das políticas públicas.
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