Agronegócio e saúde no Cerrado e na Amazônia: espacialização e aceleração do transbordamento de novos patógenos
Espacialización y aceleración de la transmisión de nuevos patógenos
Palavras-chave:
Cerrado, Saúde coletiva, Saúde Única, Determinantes Sociais da Saúde, Doenças transmissíveis emergentes.Resumo
Este ensaio analisa a relação entre a expansão do agronegócio nos biomas Cerrado e Amazônia e a emergência de novos patógenos com potencial epidêmico. Parte da descoberta de novos arenavírus (Xapuri e Aporé) para discutir como a transformação territorial promovida pelas monoculturas de soja e cana-de-açúcar, viabilizada por políticas estatais e financeirização, cria condições ecológicas favoráveis à proliferação de reservatórios silvestres, como roedores e morcegos. A homogeneização da paisagem, o desmatamento e a aproximação forçada entre humanos e vida silvestre ampliam o risco de transbordamento de doenças como hantaviroses e febres hemorrágicas. O ensaio critica abordagens epidemiológicas restritas à história natural da doença e propõe uma leitura integrada que articule a determinação social da saúde, a ecologia política e os saberes indígenas, para enfrentar os desafios sanitários contemporâneos.
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