Agrotóxicos no Cerrado: vigilância popular como estratégia de monitoramento em territórios vulnerabilizados
Palavras-chave:
Agrotóxicos, Participação comunitária, Cerrado, Vigilância em Saúde, Saúde ambientalResumo
A contaminação por agrotóxicos em comunidades do Cerrado tem se intensificado devido ao modelo de produção do agronegócio, comprometendo a saúde humana e o meio ambiente. Objetivou-se descrever as estratégias metodológicas participativas utilizadas para monitorar a contaminação ambiental e a exposição humana a agrotóxicos no Cerrado em sete estados brasileiros. Trata-se de uma pesquisa-ação realizada nos estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí e Tocantins, com coleta de amostras de água e mapeamento participativo conduzidos por lideranças comunitárias e movimentos sociais entre 2022 e 2023. Para o desenvolvimento das atividades, foram realizadas oficinas formativas, que incluíram treinamento das equipes de campo, elaboração e aplicação de protocolos, coleta de amostras e mapeamento territorial participativo. Foram coletadas 187 amostras de água e realizadas 6 oficinas de mapeamento. A vigilância participativa revelou problemas socioambientais, fortaleceu a autonomia das comunidades e promoveu a articulação política, sendo capaz de subsidiar a denúncia e o reconhecimento do crime de ecocídio no Cerrado pelo Tribunal Permanente dos Povos. Ao integrar saberes científicos e tradicionais, as abordagens participativas permitem a construção de soluções que respeitem as realidades e necessidades dos territórios, sendo, nesse contexto, mais eficazes que estratégias de vigilância convencionais.
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