CHAMADA DE ARTIGOS PARA NÚMERO ESPECIAL DA SAÚDE EM DEBATE ‘MULHERES, CIÊNCIAS E SAÚDE’ - PRAZO DE SUBMISSÃO: 02/08/2020

2020-06-09

Tema: Mulheres, ciências e saúde

Prazo de submissão: 02/08/2020

Esta chamada é destinada a compor um número especial da revista ‘Saúde em Debate’, editada pelo Cebes (Centro Brasileiro de Estudos de Saúde), dedicado à temática ‘Mulheres, ciências e saúde’. Seus objetivos são: a) divulgar pesquisas sobre a participação das mulheres no campo da produção de conhecimentos e práticas em saúde, abrangendo sua formação e modos de inserção neste campo, suas trajetórias e carreiras, suas contribuições teóricas, sociais e políticas, sua produção científica, entre outros aspectos; b) promover a reflexão crítica sobre como marcadores sociais – gênero, raça/cor/etnia, origem regional, idade, classe social, dentre outros – afetam tais processos; c) discutir como a presença e o protagonismo crescentes de uma pluralidade de mulheres têm produzido efeitos nas bases epistemológicas, na práxis científica e em suas hierarquias.

São bem-vindas produções desenvolvidas nas diferentes áreas do conhecimento que tem a saúde como campo disciplinar e/ou como objeto de estudo: ciências humanas e sociais, epidemiologia, saúde coletiva, biomedicina, bioética, planejamento e gestão, ciências ambientais, direito, educação, dentre outras.

As ciências, na era moderna, em seus postulados teóricos, esquemas conceituais, métodos e práticas, contribuíram sobremaneira para uma representação da diferença sexual e uma ordem de gênero que, perpassando dimensões simbólicas, normativas e institucionais, foi profundamente injusta com as mulheres. Como enfatizou a historiadora Ana Paula Vosne Martins, citando a cientista e teórica feminista Evelyn Fox Keller, “as associações de gênero estão presentes na formulação da linguagem científica, não como ornamentos ou recursos estilísticos, mas como elementos formadores da estrutura ideológica das ciências com implicações práticas”. As mulheres não somente foram excluídas, subalternizadas e/ou invisibilizadas, como também foram consideradas objetos problemáticos das ciências, que insistiam em indagar “o que é uma mulher”, na busca por desvendar e controlar o corpo feminino e estabelecer seus papeis na sociedade.

A produção de conhecimento regida pelos cânones da ciência ocidental moderna eurocêntrica e operada em bases capitalistas da contemporaneidade tem cor, gênero e classe. Essas clivagens atuam no sentido tanto da definição daqueles que estão habilitados a fazer parte, como provê os contornos daquilo que é considerado como conhecimento válido, construído a partir de determinados lugares e leituras de mundo, posto que todo conhecimento é situado. A exclusão de determinados sujeitos dos cenários e agendas produtoras de conhecimento tem nas mulheres negras uma das suas principais faces, operado pelo racismo estrutural, próprio da matriz da colonialidade definidora de lugares no mundo. Contudo, a história das mulheres nas ciências também foi marcada por resistências e lutas. Muitas mulheres romperam tais barreiras e se destacaram como produtoras de conhecimentos científicos, entre elas, cientistas brasileiras pioneiras Bertha Lutz (bióloga), Nise da Silveira (médica), Elza Furtado Gomide (física), Graziela Maciel Barroso (botânica), Luiza Bairros (cientista social), Beatriz do Nascimento (historiadora), Lelia Gonzalez (cientista social), Virgínia Bicudo (psicanalista). Muitas dessas cientistas abriram caminhos para as gerações seguintes e, nos tempos atuais, a presença e a contribuição das mulheres nas ciências é cada vez maior.  A atuação proeminente e os seus aportes intelectuais têm transformado o campo e a epistemologia das ciências. No entanto, ainda é necessário lutar pela equidade de gênero neste campo. Estudar e refletir sobre as ciências produzidas pelas mulheres e dar-lhes visibilidade é de grande relevância social, política e científica.

A produção desse número temático integra as atividades de comemoração dos 120 anos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que, assim como o Cebes, é uma das mais destacadas instituições de produção, disseminação e compartilhamento de ciência e tecnologia em saúde da América Latina. A Fiocruz tem entre seus compromissos centrais promover a participação de mulheres e meninas na produção de conhecimentos em saúde e enfrentar as desigualdades de gênero no campo das ciências da saúde.

O presente número temático poderá receber todas as modalidades de manuscritos (artigos originais, ensaios, revisões etc) aceitas pela revista que se relacionem aos temas abaixo, a serem trabalhados tanto de maneira mais singularizada, como interseccional:

  • Trajetórias de mulheres nos diversos campos científicos associados à saúde: formas de inserção, carreiras, contribuições e agendas de atuação, tanto em termos acadêmicos como políticos.
  • As epistemologias feministas como referenciais contra-hegegômicos para o entendimento e a produção das ciências como saberes e práticas situados.
  • Protagonismo das mulheres negras: panorama e análise de sua participação e contribuição no campo da produção de saberes; condições, dinâmicas e processos de produção de vidas negras vulnerabilizadas e a luta no enfrentamento ao racismo.
  • Mulheres indígenas, seus desafios e perspectivas: condições e processos para sua iniciação, formação, inserção e atuação nos campos científicos relacionados à saúde; dos discursos etnocêntricos e o epistemicídio aos saberes emancipatórios.
  • Meninas e mulheres jovens: iniciação, formação, inserção e situação nos campos científicos relacionados à saúde; contribuições epistemológicas e politicas nesses campos.
  • Mulheres lésbicas, trans e travestis: condições e processos para sua iniciação, formação, inserção e atuação nos campos científicos relacionados à saúde; violências, invisibilizações, discriminações, subalternizações, por um lado, e potências e estratégias de resistências na produção de saberes relacionados à vida e à saúde, por outro; contribuições epistemológicas e politicas nesses campos.
  • Mulheres com deficiências: as condições e processos para sua iniciação, formação, inserção e atuação nos campos científicos relacionados à saúde; violências, invisibilizações, discriminações, subalternizações, por um lado, e potências e estratégias de resistências na produção de saberes relacionados à vida e à saúde, por outro; contribuições epistemológicas e politicas nesses campos.
  • A participação de mulheres na produção de conhecimentos e respostas políticas, técnicas e tecnológicas às emergências sanitárias.

Artigos aprovados e não incluídos no número especial poderão ser publicados em números regulares da revista.

O processo de avaliação seguirá os mesmos procedimentos utilizados para os números regulares, explicitados nas normas da revista.

A submissão dos artigos deve ser feita no site da Saúde em Debate http://revista.saudeemdebate.org.br/. Para a redação do artigo devem ser seguidas as normas técnicas da revista disponíveis no site.

No formulário de cadastro do artigo, em ‘Comentários para o Editor’, explicitar que o artigo está sendo submetido para o número especial ‘Mulheres, Ciências e Saúde’ e indicar um dos eixos temáticos a ser publicado.

O PRAZO DE SUBMISSÃO DOS ARTIGOS SE ENCERRA EM 02/08/2020.

Cordialmente,

Comitê Editorial