Ontologia de trabalho e metodologias situadas na saúde coletiva: entre epistemes, práticas e territórios
Palavras-chave:
Saúde pública, Conhecimento, Metodologia como assunto, Práticas interdisciplinaresResumo
Este ensaio propõe uma reflexão teórico-metodológica que reposiciona a interdisciplinaridade no campo da saúde coletiva como ‘ontologia de trabalho’, concebida não apenas como estratégia de integração entre saberes, mas também como fundamento constitutivo do fazer científico e da intervenção social. Metodologicamente, trata-se de um ensaio teórico-crítico fundamentado em revisão narrativa da literatura, com seleção intencional de autores centrais dos campos da epidemiologia crítica, da complexidade e da epistemologia da saúde coletiva latino-americana. Partindo de uma análise crítica das bases epistemológicas do campo, dialoga-se com esses aportes que evidenciam a necessidade de recursos metodológicos capazes de articular, de forma recursiva, epistemes, práticas e territórios. A partir dessa fundamentação, discute-se a formulação de arranjos metodológicos que integrem dimensões qualitativas, quantitativas e participativas, sustentados por critérios de rigor ampliados, incluindo validade interna, externa, ecológica e política. Argumenta-se que tal perspectiva amplia a capacidade da saúde coletiva de apreender a complexidade dos fenômenos sem reduzi-la a simplificações empobrecedoras, garantindo relevância contextual e potencial transformador. Ao final, ressalta-se que a escolha metodológica no campo é inseparavelmente um ato científico e político, convocando pesquisadores e pesquisadoras a transformar a interdisciplinaridade em prática concreta e emancipadora.
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