Universalidade tensionada e produção do comum no acesso à atenção primária em territórios amazônicos
Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Acessibilidade aos serviços de saúde, Assistência farmacêutica, População ruralResumo
Este estudo teve por objetivo analisar como condições territoriais e organizacionais, percursos de obtenção de medicamentos e práticas plurais de cuidado conformam o acesso à Atenção Primária à Saúde em Óbidos e Terra Santa, no oeste do Pará, e se relacionam com processos de produção do comum e com tensões relacionadas ao reconhecimento institucional desses conhecimentos e práticas. Estudo qualitativo e interpretativo, baseado em 21 entrevistas semiestruturadas com 17 usuários e 4 trabalhadores da saúde e em uma roda de conversa com 15 trabalhadores. O material foi submetido à análise de conteúdo temática. Localização, transportes, custos e organização das equipes produziam desigualdades no esforço para utilizar os serviços, inclusive dentro de uma mesma área de referência. A falta de medicamentos na unidade não significava ausência em toda a rede; sua obtenção dependia de oferta, informação, orientação, circulação entre pontos públicos e capacidade financeira. Os repertórios de cuidado eram plurais e não homogêneos. A produção do comum tornou-se reconhecível em práticas familiares e intergeracionais pouco incorporadas às interações clínicas e aos fluxos assistenciais. Os achados indicam a necessidade de políticas territorialmente sensíveis e de aproximação regulada entre conhecimentos locais e institucionalidade sanitária, sem substituir a responsabilidade estatal.
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