CHAMADA DE ARTIGOS PARA NÚMERO ESPECIAL DA SAÚDE EM DEBATE ‘INFÂNCIAS E ADOLESCÊNCIAS: DESLOCAMENTOS NECESSÁRIOS PARA O CUIDADO’
Tema: a produção do cuidado integral para as infâncias e adolescências no Brasil
Prazo de submissão: 01/07/2026 a 30/09/2026
Esta chamada é destinada a compor um número especial da revista Saúde em Debate “Infâncias e adolescências: deslocamentos necessários para o cuidado”, editada pelo Cebes (Centro Brasileiro de Estudos de Saúde) em parceria com o Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher (Saúde Coletiva) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O foco da publicação é propiciar uma reflexão e debate sobre a produção do cuidado integral de crianças e adolescentes, considerando a diversidade de experiências e as iniquidades que se apresentam nesses períodos do curso de vida, no Brasil.
CONTEXTO
Há décadas a preocupação com a mortalidade infantil e as lutas pela proteção da infância no Brasil têm implicado na sistematização de informações, na elaboração e implementação de políticas e na promulgação de leis por parte do Estado. Tais movimentos, explicitados nos compromissos assumidos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC), orientam os modos como se organiza a Atenção Primária à Saúde (APS). Os esforços do Sistema Único de Saúde (SUS) articulados a políticas que incidem na transformação de alguns dos determinantes sociais da saúde, como, por exemplo, o Programa Bolsa Família, significaram a redução expressiva da probabilidade de morte antes dos cinco anos de idade, que caiu de 63 a cada mil crianças em 1990, para 14,2 em 2024 (Unicef, 2026). Entretanto, presenciamos a manutenção e o aprofundamento das iniquidades, que hierarquizam crianças entre aquelas que fazem jus à proteção da sociedade e aquelas que podem (devem?!) morrer. No que se aos dados de mortes violentas intencionais, para a faixa etária de 0 a 9 anos temos aproximadamente 1.070 vítimas entre 2016 e 2020, sendo 92% das situações vinculadas a homicídios dolosos e 61% das vítimas crianças negras (Unicef, 2021). Neste contexto é preciso refletir quem são as/os sujeitas(os) que experimentam o que chamamos de infância na atualidade. Como essas experimentações acontecem nos diversos territórios? De que falamos com o termo “infância”? Quais os sentidos, desafios e possibilidades da abordagem familista das políticas públicas de proteção e cuidado frente às violências que acontecem e/ou perpassam o espaço doméstico?
Se pensar as infâncias apresenta impasses dentro do que enuncia a PNAISC, acionar a relação políticas públicas e adolescência, então, é marcadamente complexo. Os termos “adolescente(s)” e “adolescência”, em geral, aparecem acompanhando a agenda de “crianças” nos textos de organização da APS, merecendo destaque quando se trata de prevenção da gravidez não desejada e de infecções sexualmente transmissíveis, de prevenção e acolhimento a situações de violência e de atenção à saúde no que se refere à puberdade.
Apesar dos ganhos oriundos da PNAISC e da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde dos Adolescentes e Jovens (PNAISAJ), há muitos desafios para a aproximação do SUS, seus profissionais e gestores das infâncias e adolescências brasileiras. As adolescências com que profissionais e serviços de saúde se deparam no cotidiano do SUS acontecem numa sociedade diversa daquela que produziu determinadas imagens cristalizadas e/ou estereotipadas de adolescentes. Outros modos de lidar com identidade de gênero e orientação sexual, outras formas de violências e acirramento das violências domésticas e armada, outras sociabilidades... Mesmos racismos, misoginias, classismos, LGBTfobias... Tudo atravessado por processos de digitalização da vida, pela ação algorítmica. Quais as pistas para que o SUS possa produzir o cuidado integral nesse momento do curso de vida sem moralismos e prescrições apriorísticas, que afastam adolescentes do acesso à escuta, à saúde, a estratégias de enfrentamento da desinformação e do adoecimento, especialmente, psíquico?
Em um cenário de desigualdades sociais persistentes, em que os efeitos da crise climática, das violências e da digitalização da vida serão diversos nos territórios, comunidades e famílias, como as infâncias e adolescências precisam ser ressignificadas? Como produzir modos de cuidar que (re)afirmem o protagonismo de sujeitos na infância e na adolescência? Que estratégias de proteção das infâncias e adolescências são possíveis no SUS e/ou a partir dele? Quem são e onde estão as infâncias e as adolescências mais vulnerabilizadas na produção da saúde?
ORIENTAÇÕES GERAIS
O presente número temático receberá artigos inéditos resultantes de pesquisas ou análise de experiências de autores que podem ser docentes, discentes, trabalhadores da saúde, agentes dos movimentos sociais/ONG, dentre outros.
Aceitam-se artigos originais, ensaios, revisões, artigos de opinião, relatos de experiência, resenhas e entrevistas.
Serão publicados no máximo dois artigos por autor, sendo apenas um como autor principal. Artigos aprovados e não incluídos no número especial poderão ser publicados em números regulares da revista.
A submissão dos artigos deve ser feita no site da “Saúde em Debate” http://www.saudeemdebate.org.br/. Para a redação do artigo seguir as Instruções aos Autores disponíveis em https://saudeemdebate.org.br/sed/about/submissions.
No formulário de cadastro do artigo, em “Discussão da pré-avaliação/Comentários para o editor”, explicitar que o artigo está sendo submetido para o número especial “Infâncias e adolescências: deslocamentos necessários para o cuidado”.
O PRAZO DE SUBMISSÃO DOS ARTIGOS SE ENCERRA EM 30/09/2026.
Cordialmente,
Comitê Editorial.












